Um arrastão de amor às letras

“Não tenho experiência de contato com alunos em sala de aula, para mim,  foi tudo novo, vejam o que escreveram”, transborda de entusiasmo João Borges, mostrando cartas carinhosas escritas pelos alunos. “Capim” conta que não conteve as lágrimas quando um aluno cego, de 16 anos, declamou um poema que aprendera ali, na sala, murmurado por uma colega para que ele o decorasse enquanto os outros declamavam. Márcia sorri com seu sorriso carinhoso ao falar de sua experiência, preparando-se para, à tarde, atender a outra escola, longe dali.

Milton não se contém e conta pormenores de como atuou com os jovens e de suas reações positivas. Mariane se ilumina ao falar dos poemas que os alunos escreveram. Rosana se envolve e envolve os alunos que descobrem segredos que não sonhavam existir.  

A escola inteira respira poesia, romance, crônica. Inala literatura e se encanta.

Em outra escola, crianças vêm ao  encontro e perguntam: “Você também é escritor?”, quando digo que sim, querem autógrafos.  A razão?  Bernadéte Costa  e Sílvio  cativam, fazem da literatura um encanto.  

“Dá vontade de ficar o tempo todo, participando”, nos recebe Elizete,  a secretária de educação, saindo de uma sala onde Valério e Bernadete Mattos fazem o que mais gostam:  mágica com a fantasia das crianças que querem contar de suas casas, seus avós.

Marlete vira brilho de felicidade e desvenda caminhos de descoberta com alunos deslumbrados com as letras, com a leitura. Pergunto ao Jura se valeu a pena, e ele, definitivo: “Muito, e não é nenhuma pena”, jogando o significado da palavra que também pode ser “castigo”.  

Diferentemente dos muitos discursos demagógicos, o prefeito, Clézio, acompanhado pelo vice, Jaime, percorre as salas de aula e conta da filha que chegou em casa contando dos escritores que estavam na escola nesse dia. À noite, 12 horas após o início, mais três turmas do ensino médio para cativar com a palavra, e o cansaço valeu a pena.

Um dia de trabalhar a magia da palavra foi o desafio que enfrentamos,  escritores da Associação das Letras, de Joinville, Jaraguá do Sul e Barra Velha  na última quinta-feira, em São João do Itaperiú:  fizemos o Arrastão Literário, conversando de várias maneiras sobre literatura  com todos os alunos das redes públicas municipal e estadual de educação no município, nas respectivas salas de aula.   

Num país de pouca leitura e pouca escrita, uma semente dessas frutificará, sim, que o digam os tantos sorrisos dos alunos de creches ao ensino médio que tornaram nosso dia inesquecível.

Donald Malschitzky

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