ESCRITORES DA ASSOCIAÇÃO DAS LETRAS compartilham seus poemas e contos natalinos

NATAL – escritora Norma Rathunde

PAROU

Todo ano era a mesma coisa.
Trabalhar…
Trabalhar…
Trabalhar… guarda-roupas para arejar, lavar a roupa acumulada (ainda bem que deu sol), quintal para limpar (ufa! como cresce o mato nas estações gostosas – primavera/verão), janelas enfim, geral em toda a residência.
Até já contratou um diarista.
     Parou !
     Pensou…
Aí que mora o perigo. Resolveu divulgar seus pensamentos. e expressar, o que para ela significava o Natal.
Bençãos divinas. alma iluminada, alegria representada por luzes coloridas, tanto velas como elétricas, pessoas mais generosas, outras céticas e felizes por poderem comercializar seus produtos.
Jesus quando adulto, gostou mais de Maria, que o agradou do que de Marta que trabalhou.
E agora ?
Continuava a executar o serviço ou descansava ?
Longe de chegar numa conclusão, tinha a certeza de que ainda tinha que estar presente num aniversário, dia 23 de dezembro.
     Primeiro ia se dar um presente: sair, passear e fazer algumas compras.
     A história conta que Jesus foi presenteado pelos três reis magos: Baltasar, Gaspar e Melchior com incenso, mirra e ouro. Festejamos em 6 de janeiro, dia dos Reis, mas antes muito antes estão representados no presépio de Natal.
      Desta vez, cansada e feliz parou para admirar a magia do Natal.

FELIZ NATAL – por Fátima Cardoso – escritora de Joinville – AL

O NATAL DA BISA GUIDA

O céu descortina a noite, e o dia se mostra com sorriso tímido.

Dona Guida caminha lentamente até a varanda, tenta não fazer barulho para não acordar a família. Senta-se na cadeira de balanço, aprecia com carinho as folhas serenadas no jardim. Contempla o ypê amarelo que seu pai plantou, sorri para ele como sorri para um velho amigo. Aos noventa e três anos, Dona Guida fez deste gesto um ritual.

Sem que ela perceba, Analú, sua bisneta de treze anos, a observa com carinho.

– Está sentindo dor, bisa? – Pergunta ela, ao perceber lágrimas em seus olhos.

– Bom dia minha querida! Acordei você com o barulho da bengala, minha filha?

É muito cedo, volta pra cama!

– Vou ficar com a bisa, – diz ela arrastando um banco.

O sol já desponta no horizonte e as cigarras, iniciam o canto em coro!

­­- O canto das cigarras me leva de volta à infância! – Dona Guida fala emocionada.

Meu pai dizia que, quando as cigarras cantam, anunciam a chegada do menino JESUS. Nessas épocas meu pai nos levava até a capoeira para colher barba-de- velho!

Analú arregala os olhos.

Dona Guida sorri.

– Capoeira, filha, é um lugar de mato ralo. Lá no sítio do meu pai, ficava no morro. Era festa para mim e meus dois irmãos, quando chegava o natal. Meu irmão mais velho subia na árvore e jogava a barba- de- velho para juntarmos. Ouço meu pai gritar com meu irmão: cuidado menino, não vá cair! Fechando os olhos, ela continua:

Voltávamos com a sacola cheia, a barba- de- velho e as frutas colhidas pelos caminhos. Meu pai colocava uma mesa de madeira, em destaque no canto da sala e montava o presépio

A barba- de- velho era colocada pelos meus irmãos, nos galhos secos do ypê, que meu pai cortava especialmente para fazer o presépio. Na estrebaria e na manjedoura, era eu quem sempre a colocava. Na noite de Natal minha mãe preparava um pires com pétalas. As vizinhas colocavam na soleira das janelas uma das outras para a troca de presentes.

 Os presentes eram pequenas lembranças, como sabonetes, esmaltes.

Eu e meus irmãos mal dormíamos na ansiedade do amanhecer, correr para o presépio e abrir os pacotes de presente. Quase sempre eu ganhava boneca de plástico e sem roupa. O Natal em que eu ganhava boneca com roupa e com cabelo, era ainda mais emocionante. Eu abraçava minha boneca com tanto amor! Dizia dona Guida, revivendo a emoção.

– Ah! Vocês estão aí? Pergunta a neta de dona Guida, ao chegar na varanda com uma caneca de café.

– Estamos sim mamãe, fazendo mais um tour nas saudades da bisa, diz Analú.

Dona Guida olha para o Ypê, que agora está mais amarelo, refletido pelo sol.

 Despede-se com uma piscada de um olho.

FELIZ NATAL -por Ana Simões – escritora de Joinville – AL

Amor vem a calhar.

A humanidade precisa redescobrir o amor. Renovar urgentemente a palavra respeito. Redescobrir o outro. Reinventar a admiração. Pesquisar a origem da palavra piedade. A palavra grega aqui é theosebeia, homens e mulheres piedosos, que possuem compaixão, dó, pena dos males alheios, comiseração, traduzidos tão bem no tão lido Aurélio. Ser piedoso para os outros como para si. Descobrir que a palavra egoísmo já traz em si, a raiz do mal e do descaso, e da omissão. Precisamos refletir sobre a liberdade. Eleutheria, o significado grego desta palavra estava relacionado à ausência de limitações e coações. Já a palavra libertas, de onde também se originou o termo liberdade do latim, significa “independência”. Em sua amplitude real e magnificamente humana. Nós estamos precisando de amor. Não só Natal ou novo ano que já se pronuncia, mas em todos os segundos da vida. O mundo precisa de loucos, loucos uns pelos outros. Loucura justa e necessária pelo semelhante, pelo próximo, pelo desconhecido, pelo distante , pelo amigo. Urge que seja sem ideologias, partidos, discordâncias. Que os nossos partidos sejam de causas, de intenções que gritam, de imenso respeito aos dessemelhantes e aos semelhantes. Que tomemos parte do partido Brasil, do partido mundo, do partido universo, do partido todos por um por todos. Como cidadãos do nosso país, das causas prementes do mundo, das remotas causas do mundo àquelas que flagelam , açoitam e exterminam, para que não mais flagelem, açoitem e exterminem. Somos humanos e não desumanos e como seres humanos neste mundo conturbado e repleto de rancor e ódio nos permita viver em paz, na tão almejada paz, a tão perseguida bonança.
A guerra nas suas mais diversas formas e manifestações espreita à vida, espiando afoita a oportunidade de dizer, venci. Natal e novo se iniciando urgem de humanidades. Dizer feliz Natal me soa quase como hipocrisia e de feliz ano novo também. É quase como dizer mudança e no ano seguinte falar continuidade. Então, digo sem nenhum receio, que os corações emanem vibrações de amor, para que ele conspire finalmente e decididamenre a favor. (Ana Simões em Como se vive o tempo). Dezembro/2019.

SARAU DA PRIMAVERA

A Associação das Letras comemorou o dia do POETA com um encantador SARAU DA PRIMAVERA, um tributo a poetisa CECÍLIA MEIRELES. Os escritores Ana Elisabeth Simões, Andréa Carvalho, Bernadete S. Costa, Eliane Knaben, Fátima Cardoso, Inês Pozzagnolo, Luiz Antonio, Marinaldo Silva e Silva, Mário César, Norma Rathunde, Saradymes, Simone Nascimento, Silvana Beck Stival, Reinoldo Correa, Rita de Cássia, e ainda a querida amiga Dolores Tomazelli declamaram os encantadores poemas de Cecília, além de poemas de autoria dos escritores associados.

Associação das Letras recebeu nesta noite das mãos da Vice-presidente do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, Diretora do Museu Nacional dos Bombeiros Voluntários, Conselheira de Cultura Estadual e escritora Dolores Tomazelli o seu livros “ATAS” que apresenta todo o histórico do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. A Associação agradece a Dolores Tomazelli pelos livros, e agradece ainda a disponibilidade de uso do auditório do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville.

%d blogueiros gostam disto: